Rezistencia Cultural
15.9.03
  2 filmes dessa semana Bem me Quer, Mal me Quer
É verdade, mais um filme sobre o poder do amor. Mais minutos de película sobre a fantasia em confronto com a realidade, sobre a poesia e a arte em confronto com a medicina e a ciência, sobre a juventude contra a maturidade e as responsabilidades que vêm junto. E não tem jeito, mesmo parecendo uma fórmula fácil, Bem me Quer, Mal me Quer consegue fugir a recursos comuns e tratar do tema com graça e originalidade. Você vai gostar.

Angélique é uma bela e jovem pintora com talento, apaixonada por Loïc - médico mais velho e casado. O amor não parece correspondido, mas sua intensidade guia a vida de Angélique, envolvendo amigos e até pacientes do doutor. Aos seus olhos, tudo conspira para um futuro de felicidades. Já aos olhos do médico...

A trama de Bem me Quer, Mal me Quer se concentra no carisma de Audrey Tautou. Quem assistiu a O Fabuloso Destino de Amélie Poulain vai lembrar da atriz, dona de um sorriso alegre e cheio de ingenuidade capaz de cativar na hora qualquer espectador. Pois bastam este sorriso e um roteiro daqueles em que os acontecimentos se repetem sob o ponto de vista de diversos personagens (aqui, Angélique e Loïc) para imprimir o ritmo necessário a um bom filme. Está tudo redondinho e revelado aos poucos, tornando os personagens muito mais interessantes do que uma possível simples mocinha apaixonada por um possível simples médico casado e com uma família que não pode abandonar.

Os coadjuvantes do filme, o Amor e a Arte, com maiúscula mesmo, são os responsáveis pelas surpresas que perdoam os pecados de um e outro personagem. Entre os pecados, até uma morte. E, como todos os bons coadjuvantes, estes roubam a cena sempre que aparecem no quadro. Ao final, dá vontade de sair se apaixonando por aí, não importa que loucamente e sem razão. Afinal, o que é a razão mesmo?

Caminho Para as Nuvens

Deus é brasileiro, não se questiona mais. E gosta de futebol, é certo. No cinema, a história é outra. A religiosidade do brasileiro e sua fé sónussissabinquê resultaram, de novo, em um filme safado, confuso e besta. Em nome de Padre Cícero, foi feita uma trama de remendos copiados de outros lugares que não toca absolutamente o infeliz que caiu dentro da sala escura do cinema. Nem ódio o filme provoca.

Romão é um nordestino que decide investir na fé em padinho Ciço para, numa cruzada de bicicleta pelo Brasil, achar um emprego que sustente a família. Ele só aceita um salário de mil Reais. Ao longo da viagem, precisa manter a confiança da família e supri-la de alimentação e educação.

O ritmo da trama varia sem nunca chegar a algo bonzinho, vá lá. Ora parece uma novelinha, ora não chega a ser um videoclipe, ora busca uma linguagem clássica, ora pretende a vanguarda... Nem se decide, nem sai de cima. A montagem perde o tempo da ação a cada corte, e os personagens não salvam os atores que os interpretam.

Quando, do meio para o fim, o foco da ação sai de Romão para seu filho mais velho, a coisa até parece que vai engrenar. Rapidamente, no entanto, a esperança abre as pernas ao medo e a mudança não vem.

Para quê foi realizado este filme, é difícil responder. Quando o melhor de oitenta e sete minutos de uma projeção é a interpretação desafinada de canções de Roberto Carlos, o sinal é de que é hora de pedir a bênção. A Deus, não adianta. Ao Ministro amigo de Cacá Diegues também não. Nessa safra 2003 do cinema nacional, a fé tem se feito necessária, sónussissabinquê.

As duas críticas foram primeiro publicadas em www.imprensajovem.com/escurinho
 
9.9.03
  Recomendação E não que tobi tá escrevendo na bala? É o segundo texto bom da revista, já que Cuenca também vale a pena. E, muito de vez em quando tem aquela Cecília Gianneti, do Casino, que também manda bem. 
8.9.03
  Shows da semana Extraído de www.areacinquentaeum.tk, onde foi primeiramente publicado:
O que a gente ouve

Comentários da banda sobre shows e CDs

08 de setembro, 2003

Semaninha Agitada
Como o primeiro salário do meu novo emprego saiu, a semana passada mereceu comemorações. Além do dinheirinho, que andava minguado, a chegada do mês de setembro também era saudada. Pois fui a três shows em cinco dias, e não houve margens para arrependimentos. Vamos aos fatos:
Acabou La Tequila

Na Casa da Matriz, onde o som nunca é A parada, a banda de Kassin e Nervoso fez bonito. O público era muito interessante, gente que gosta e conhece música, e deu para se assistir a uma apresentação tranqüila, assim como o refrão da canção que abriu os trabalhos.

As letra não são o forte da banda, já os arranjos são. A guitarra base, que faz as levadas, é uma daquelas do início do rock, muito usada no jazz – como eu sou saxofonista e não guitarrista, não sei o nome, mas deve ser bem óbvio. É o tipo de guitarra que o Ben Harper toca. A segunda guitarra, que faz os riffs e brinca por cima da base é a de Kassin e seus pedais. Além de ser toda a graça da banda, tanto em técnica quanto em humor, vale muito a pena perceber o quanto o Acabou La Tequila é influência para o Los Hermanos. Frases tão melódicas quanto melancólicas na guitarra, intercalando o peso de convenções/refrões, só apareceram nos barbudos a partir do segundo disco, quando Kassin começa a participar da hermandade. É a injeção do samba antigo no rock, que deve em muito ser creditada a pessoa certa.

(O Acabou La Tequila tem um segundo cd já gravado, que não sai porque o Kassin não quer. Faça você também parte da campanha “Libera aí, camarada”.)

A Melhor Banda do Mundo

Quarta-feira, mais uma vez, a melhor banda do mundo lotou a casa onde se apresentou. Era meio de semana, o Ballroom é conhecido por só começar seus shows tarde, ser caro e ter um som que tá longe de ser A parada. Mesmo assim, formou-se longa fila do lado de fora, a casa pediu pagamento adiantado e não houve reclamações dos fãs.

Na platéia, Tom, do Cabruêra, fazia propaganda de sua temporada na Casa Rosa (e eu prometi que ia), mas na verdade tava ansioso era pra pular com os dedos das mãos imitando as garras dos caranguejos. Mangueboy que é mangueboy não perde o tempo.

Em poucas palavras, foi um show foda, mas desfigurado. Além do sério problema do som, a melhor guitarra do mundo só foi (mal) ouvida na quarta ou quinta música. Com o baixo, a mesma coisa. E eu estava na segunda fila, atrás só de Tom. Outra desfiguração foi a presença dos convidados. Nada contra Caju e Castanha (muito maneiro, por sinal), Seu Jorge (desnecessário, dessa vez) e Black Alien (que refez o filme comigo). Só que a entrada deles modificou a ordem do repertório, e cortou músicas. O começo do show acabou sendo muito melhor do que o resto, o que foi uma pena. Ainda mais porque os convidados cariocas chegaram atrasados.

De qualquer forma, Purple Haze e Umbabarauma nas mãos do Nação Zumbi provocaram arrepios, e só as duas músicas já teriam valido a pena.

Coldplay

O mais caro dos shows foi também o mais correto. Tudo muito bonito: os arranjos, a voz do carinha (lembra mesmo a do carinha do Eccho and the Bunnymen), as luzes, a banda tocando junto bem uniformezinha. E ainda tem gente que compara o Coldplay com o U2. Absolutamente nada a ver. Um é bom, o outro não. Simples assim.

Aliás, até o próprio carinha diz que o U2 influencia. - Carinha, não influencia não. Eu sei do que estou falando. Entendo muito de música, sabia?

O Coldplay é uma banda inglesa de jovens educados, nos dois sentidos. Foi formada por alunos de escolas particulares que se encontraram em uma faculdade boa (acho que Oxford, mas nem sei mais. Eu devia ter estudado antes de sentar para escrever). O som deles reflete bem isso, bonito e limpo e bacana, te conquista no carisma. Rock’n’roll pode ser assim também, não precisa ser só sujo. Mas que sujo é bom, sim, é bom.

O show foi curto, e ainda por cima repetiu músicas. Não deixou de valer a pena, no entanto.

Só pra fechar, encontrei o camarada Chokito nos três shows. Atitude punk rock: em primeiro lugar o som, o resto depois, se acordar a tempo. Ah, moleque...
 
1.9.03
  Identidade, por favor
Desemprego é bom. 5 meses de total disponibilidade mudaram tudo. De uma fase punk eu passei a ter pouco ou nada, dinheiro principalmente.

Repensamentos, referências, descobertas na maioria.

Eu sou mais ou menos isso aí:
Area51.Nação Zumbi.Carta Capital.Cazuza.Braseiro da Gávea.Branford Marsalis.Zeca Pagodinho.Instituto.Jobi.Basquiat.Vargas Llosa.Eco-UFRJ.João Nogueira.Stones.Eduardo Coutinho.Pixinguinha.Posto 9.Marcinho VP.brazileira!preta.Yuka.Santa Teresa.Leila Diniz.Coltrane.Baudrillard.Mondrian.Caipirinha.nominimo.Meu pai.Beastie Boys.Salman Rushdie.Trip.Woody Allen.Radiohead.dubinarubbystyle.BG.Miles Davis.Paçoquita.Otto.García Márquez.no.Herbie Hancock.Chico Science.Chico Science.Chico Science.Caetano/anos 70.Lee Perry.Lapa.Spike Lee.Charlie Parker.Afroreggae.Baixo Leblon.Orquestra Imperial no Ballroom.Sabotage.Zuenir Ventura.Cássia Eller.Mario Caldato.Tom Jobim.Ipanema.Thelonious Monk.Chico Science. E no dia seguinte, acordar cedo com dor de cabeça.
((esse texto foi escrito na semana seguinte a minha contratação, e anterior ao meu reinício na labuta diária)).
 
31.8.03
  Enfim, sós Incerto, como nós, é o tempo que corre lento em qualquer direção. Caótico é o mundo de partículas subatômicas que regem, soberanas, nossa falta de assunto e consistência. Para que planos, se não para enganos?! Invente novas formas de viver, vá morrendo aos poucos pro velho. Rezista sorrindo porque esse negócio de ser é sério. Só nasce pro novo quem abre mão do velho. 
  Uivando blues UIVANDO BLUES olha lá o céu sorrindo estrelas veja só a lua cheia luzindo beleza eis me aqui lobisomem uivando blues a noite inteira  
30.8.03
  Ainda não tenho certeza desse nome, mas já tem alguns dias que não sai da minha cabeça o "resistência cultural, casa do caralho" que o Marcelo D2 canta em uma música dele aí. Podia ter sido "Qual é neguinho?", acho que seria um nome legal também. Enfim, rezistência, com z, tem sido importante nas minhas escolhas de vida, ultimamente. Ou seja, acho que é um bom nome, sim. Este blog começa assim.  
Todo dia o caminho do bem se esconde de novo. Todo dia os aliados sao checados e testados. Todo dia uma crise pode comecar, e outra pode continuar. Todo dia, eu tenho que fazer tudo diferente. Existir nao basta. Tem-se que existir de novo. Rezistir. Breiniuoxe, ideias, pensamentos, opinioes, noticias nao televisionadas. Duas cabecas compondo pecas de sobrevivencia. Aqui, o lar da reziztencia cultural.

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